O CÉU NÃO PODIA ESPERAR
No dia 6 de Abril do corrente ano, Deus decidiu recolher aos tabernaculos celestiais minhas duas irmãs. De forma trágica deixaram esse mundo, quando uma chuva desproporcional desabou sobre a cidade do Rio de Janeiro produzindo uma série de deslizamentos.
No dia 6 de Abril do corrente ano, Deus decidiu recolher aos tabernaculos celestiais minhas duas irmãs. De forma trágica deixaram esse mundo, quando uma chuva desproporcional desabou sobre a cidade do Rio de Janeiro produzindo uma série de deslizamentos.
Foram colhidas em pleno vigor da idade e deixaram nossos corações com um vazio enorme, privados não somente da companhia, mas da alegria e do amor tão peculiares as duas. Também ficamos cheios de questionamentos acerca da efemeridade da vida.
Ao saber que já não estariam mais conosco, desejei tomar as asas da alva e alçar vôo até cruzar os portais eternos e presenciar a recepção preparada por Deus para recebê-las em seus braços, visto que o céu não pode esperar.
A ausência desses dois seres, quase angelicais em sua conduta, transportando a essência divina e, dedicadas em sua missão de servir o próximo, produziu um vazio enorme no coração de amigos e familiares.
Não há palavras que expressem nossa consternação pela tragédia que se abateu sobre nossa família, bem como, sobre aqueles que como nós, foram atingidos pela fatalidade e perderam o convívio com seus amados.
Nosso consolo esta na certeza, de que as almas dessas criaturas tão especiais, subiram ao encontro do Criador e Pai Eterno e, hoje repousam das aflições, das dores e dissabores do tempo que se chama hoje.
O livro que escreviam, narrando sua própria jornada de vida se encerrou, mas as lições que nos deixaram continuarão a orientar-nos dentro do caminho da excelência e do amor.
Aprendemos com a partida delas desse mundo o que Jó nos ensinou em seu livro, diante de uma adversidade que parecia ser o fim de sua vida. “E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor. Jó.1.21”.
Não importa quanto dinheiro, quantos bens materiais se tenha adquirido, se possui conta secreta na Suíça, se o carro é o mais moderno e caro vendido no mercado. Nada disso será capaz de impedir a ação da morte.
Não há como angariar bens nesta vida e pensar que os levará num caminhão de mudanças até a sepultura, acreditando que passarão deste lado para o outro.
Não faz a mínima diferença se há no ser uma beleza estonteante, ou se é desprovido da mesma. Se viveu debaixo dos holofotes do glamour ou no anonimato. Quando chegar a hora, nada disso terá importância.
Ficou bem claro em nossa experiência, pois tudo o que conquistaram enquanto aqui viveram foi soterrado por um rio lama, de tal maneira, que nada pode ser encontrado, exceto, os fragmentos de duas vidas que findaram em segundos, sem a oportunidade para negociar qualquer bem.
Em meio a tragédia, acabamos descobrindo os verdadeiros amigos, nossos e delas. Por mais que uma pessoa diga ser sua amiga, essa comprovação só se constatará quando a tristeza de uma tragédia ou fatalidade se abater sobre sua vida.
Muitos dos que se declaravam amigos, não se lembraram nem de um telefonema. Outros disseram: “Se precisar de alguma coisa, por favor, não hesite em solicitar”. Porém, seu desaparecimento súbito comprova que não falavam a verdade.
Quem enfrenta um momento desses precisa de algo, nem sempre essa necessidade está associada ao dinheiro (poderá estar e representará um serio problema para o avarento e egoísta), mas da presença do amigo (a), demonstrando essa amizade, compreendendo as atitudes expressadas por conta de emoções que afloram a um nível inimaginável.
Emocões como a raiva, o ódio, os questionamentos, a incredulidade, as incertezas, o desespero, a mágoa, o ressentimento, e tantos outros sentimentos acabam se manifestando num potencial elevadissimo. Só a presença do amigo verdadeiro é capaz de acalentar um coração assim.
Os amigos são testados em seu desprendimento e também em sua generosidade. Participar dos banquetes de alegria é fácil, contudo, colaborar para que a dor existente no coração seja aliviada, é muito melhor, apesar de ser uma atitude inerente aos nobres.
Lembre-se de mais um detalhe, quando a morte chegar e com ela a despedida, só os verdadeiros amigos estarão presentes. São aqueles que decidiram seguir os capítulos finais da historia de sua vida até que a “morte os separe”. A aliança que fizeram não se quebrou pelas circunstancias adversas.
São pessoas que conhecem seus defeitos, mas decidiram exaltar suas virtudes, permanecendo fieis aos princípios que regem uma amizade solidificada no respeito e amor fraternal.
São os amigos verdadeiros que transportarão o esquife, não se importarão com o custo das flores e nem com o horário despendido no velório. Irão até o ultimo adeus. Chorarão e enxugarão suas lagrimas quando rolarem em seu rosto.
Respeitarão sua dor e não emitirão nenhum comentário, pois entendem o que é participar do luto, sentir sua dor, e ser instrumento de consolo num momento tão critico.
Os verdadeiros amigos estarão presentes nos dias seguintes a tragédia e luto. Ajudarão você a se reerguer, caminharão ao seu lado ajudando na restauração da alegria e prazer de viver. Eles servirão como ponte entre um extremo e outro. Quando tudo findar, lá estarão, prontos para o que der e vier.
Os acontecimentos trágicos, servem para nos levar a uma reflexão acerca da vida, de princípios que devem reger nossa conduta, acerca de quem está ou não ao nosso lado. Enfim, nos levam ao amadurecimento.
Não podemos nos tornar prisioneiros do ódio, do rancor e da mágoa. Esses são venenos que tomamos e nos fazem desperdiçar o resto da vida esperando que outras pessoas morram contaminadas com eles.
Outro aspecto interessante relacionado a perda, é que aparecerá uma multidão de pessoas querendo lucrar com sua dor. É obvio que ficamos fragilizados, nos sentimos impotentes, mas cuidado, haverá alguém esperando essa atitude sua para lucrar.
Devemos expressar nossos sentimentos, mas não podemos nos tornar frágeis a ponto de permitir que estranhos subtraiam mais do que o necessário para vender um pouco de conforto aos que se despedem dessa vida.
Nessa hora, a presença do amigo é fundamental, pois ele velará por seus interesses, cuidando para que seus problemas emocionais não sejam agravados com perdas materiais.
Não tenho palavras para expressar minha gratidão a Deus pelos verdadeiros amigos que Ele tem colocado em minha vida e na de meus familiares. São pessoas que fizeram e continuam a fazer toda diferença.
Meu pedido a Deus por cada um, é que Ele vos enriqueça, proteja, abençoe com toda sorte de bênçãos. Que a colheita advinda da semeadura realizada em minha vida produza frutos que alimentem a vocês e seus descendentes.
Que Ele envie a proteção e livre de toda adversidade, de todo incomodo e inconveniente causado por forças internas e externas. Espirituais ou naturais. Que a paz, o gozo, a alegria e a prosperidade em todas as áreas sejam notórias em sua jornada neste mundo.
Que nunca falte o amigo mais chegado que irmão, doando o que for preciso, colocando-se a disposição para os tempos de abundancia e de escassez, retribuindo a cada um aquilo que de coração me foi doado.
Se você é leitor do blog, mas não se enquadrou no que foi dito, não se preocupe, o simples fato de continuar vivo é uma permissão divina para que sua postura em relação a conduta de um amigo de verdade seja alterada.
Aproveite o exemplo dos outros e seja você também um amigo certo nas horas incertas. Seja o ajudador, aquele que disponibiliza o que tem para amenizar o sofrimento do próximo. Que você descubra o poder de ser e ter amigos verdadeiros.
Não poderia finalizar sem deixar um comentário que considero importante para a consciência política de meus amigos. Para que no exercício da cidadania, possamos nos unir nas urnas e remover do poder homens e mulheres amantes de si mesmos e que estão lá para se beneficiarem.
O povo carioca foi vitima do descaso dos governantes que só aparecem nas comunidades carentes em tempos de eleições, para praticarem a politicagem, sempre buscando o voto dos desvalidos.
Aparecem com promessas fantasiosas que nunca terão cumprimento, pois não estão embasadas na verdade e no comprometimento, mas em interesses escusos.
Plantaram uma comunidade sobre um lixão desativado, construíram ruas, instalaram luz e cobravam IPTU, água e esgoto. Só que mesmo cobrando a comunidade não dispunha desses serviços.
O carne do IPTU é a prova de que os governantes só estavam preocupados com arrecadação, porem, os prefeitos já fecharam acordo com os juízes do STJ para que esse documento não seja aceito como prova contra a prefeitura e o estado.
Se o governo do Rio for responsabilizado pela tragédia, a estratégia é pagar as indenizações através de precatórios, ou seja, quando todos os membros de sua família estiverem mortos, a indenização poderá ser paga, pois não haverá ninguém para recebe-la.
Esse é ano de eleição, precisamos nos cuidar, pois os mesmos políticos que trocaram votos por barracos, aparecerão pedindo reeleição para repararem os danos causados por uma tragédia anunciada.
Se querem reparar estão assumindo que a culpa é da atual administração. De fato é, pois os estudos feitos pela UFRJ provam que as autoridades foram informadas dos riscos de se permitir a construção de casas no morro do Bumba, por exemplo.
Só que ignoraram os avisos e empreenderam uma verdadeira cruzada em busca de votos, doando telhas, tábuas, e outros materiais para barracos em troca de votos.
Sabemos que nenhuma indenização poderá reparar a perda de um familiar, seja qual for o nível de parentesco, porém deixar impune essa classe de políticos é abrir precedente para que seus substitutos atuem praticando os mesmos atos.
Ano passado foi Santa Catarina. No inicio do ano São Paulo sofreu com as políticas erradas de políticos omissos, agora foi a vez do Rio. Minha pergunta é: Você vai esperar que a tragédia chegue a sua casa? Que bata em sua porta?
Esse artigo é dedicado somente aos meus amigos. Aqueles que no momento de adversidade e dor se dispuseram a ajudar com tudo o que podiam. Que revelaram o amor Agape. Que estenderam a mão me seguraram para que não caísse, enquanto o mundo desabava a minha volta.
Obrigado por existirem. Deus abençoe a cada um.
Gerson Wheber
