DEPRESSÃO - CIENCIA OU RELIGIÃO:
QUEM TEM A SOLUCÃO ?
Depois da internet, entender sobre depressão e alguns de seus sintomas ficou mais simples. Temos opiniões de especialistas e de pessoas que experimentaram e venceram a depressão com seus sintomas. Em alguns casos encontramos até algumas formas de tratamento.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) até 2020 a depressão terá matado mais que as doenças cardiovasculares, primeira na incidência de mortes no mundo. Por conta disso, tomei tempo para pesquisar alguns aspectos ligados a doença que será considerada como grande vilã da humanidade.
Nesse artigo, o leitor poderá ver o que diz a ciência, a filosofia chinesa e alguns segmentos religiosos. Como o tema intriga inúmeras pessoas, procuramos escrever de forma imparcial, sem emitir opinião pessoal acerca do que pensam as religiões mencionadas aqui, deixando para o leitor a escolha quanto ao que melhor atende seus interesses na busca para livrar-se da depressão e seus efeitos.
A DEPRESSAO E A CIENCIA: Depressão, a mais comum de todas as doenças psiquiátricas, continua desafiando a medicina. Suas origens tanto biológicas quanto suas causas ainda não foram desvendadas.
Não faz muito tempo e acreditava-se que a doença surgia pela carência apresentada pelo cérebro de neurotransmissores, associados a sensação de prazer, autoconfiança, apetite e libido, entre outras.
A hipótese mais corrente e aceita em nossos dias é de que a depressão esta mais associada ao mau uso que o cérebro faz da serotonina, dopamina e a noradrenalina. O tratamento não é nada simples, pois é preciso se levar em conta os vários tipos de depressão.
Os tipos mais comuns estão descritos abaixo:
1. DEPRESSAO MELANCOLICA – É a manifestação da doença em sua forma mais clássica. Nela se manifestam a tristeza, falta de energia, perda de apetite e raciocínio lento. Mais da metade dos que sofrem desse tipo de depressão tem insônia e os sintomas se manifestam normalmente ao amanhecer.
2. DEPRESSAO ANSIOSA – Os sintomas são acompanhados de inquietação e desconforto. A pessoa não se sente bem e muito menos a vontade em nenhum lugar, tendo sempre a sensação de que algo ruim acontecerá a qualquer momento, podendo apresentar sintomas físicos de ansiedade, como taquicardia e sudorese.
3. DEPRESSAO ATIPICA – O deprimido atípico normalmente sente uma fome incontrolável e muito mais sono. A letargia e angustia se agravam sempre no fim da tarde e anoitecer.
4. DEPRESSAO POS PARTO – Cerca de 12% das mulheres são acometidas por esse tipo, que além dos sintomas comuns a depressão sentem medo sobretudo de não conseguir cuidar do bebe.
5. DEPRESSAO PSICOTICA – A pessoa com esse tipo de depressão sente delírios e alucinações. Em quadros mais graves, acredita que seu organismo está se deteriorando chegando a sentir o cheiro da degradação.
5. DEPRESSAO PSICOTICA – A pessoa com esse tipo de depressão sente delírios e alucinações. Em quadros mais graves, acredita que seu organismo está se deteriorando chegando a sentir o cheiro da degradação.
6. DEPRESSAO SAZONAL – Nos países onde outono e inverno têm dias mais curtos, com períodos longos de baixa luminosidade é que esse tipo de depressão se manifesta com mais freqüência.
As causas são: Genética, tida como principal fator da doença, pois se uma pessoa possui parentes próximos que tenham sofrido com a depressão terá três vezes mais chances de apresentar o mesmo problema.
As causas são: Genética, tida como principal fator da doença, pois se uma pessoa possui parentes próximos que tenham sofrido com a depressão terá três vezes mais chances de apresentar o mesmo problema.
O Stress é um dos fatores que atuam no desencadeamento da primeira crise depressiva. Pode ser de natureza psicológica (divorcio ou excesso de trabalho), natureza física (doenças onde a pessoa sente dores crônicas) e ambiental (invernos rigorosos ou catástrofes naturais).
Doenças que alteram a química cerebral, tais como: Derrames, tumores no cérebro, hipotireoidismo, entre outros distúrbios, podem alterar a química cerebral favorecendo a depressão. O abuso de álcool e drogas pode levar a pessoa a um quadro depressivo, pois inibe a comunicação entre neurônios.
Existem inúmeros medicamentos usados para tratar e/ou amenizar os efeitos da depressão no individuo para que tenha uma melhor qualidade de vida. A depressão impede que uma pessoa tenha uma vida normal, onde possa relacionar-se com o próximo sem os transtornos gerados pelo desequilíbrio psíquico.
Os psiquiatras acreditam que o uso de antidepressivos consiga produzir a tão desejada melhoria na qualidade de vida, tornando aqueles que sofrem de depressão capazes de levar uma vida mais próxima da normalidade.
Todavia, esse não é um consenso dentro da ciência, pois, psicólogos do mundo inteiro fazem campanhas contra o uso de medicamentos, por entenderem que a resposta para o problema está dentro do individuo. Trabalhando junto com o paciente (individuo/família) ajudando-o em sua busca pessoal.
Procuram de todas as formas facilitar o processo de auto percepção o que passa tanto pelo racional como pelo corporal, a medida que a consciência envolve sensações que se expressam e são captadas através dos sentidos.
No processo terapêutico o paciente amplia e melhora sua percepção acerca de si mesmo, a autoconfiança e passa a orientar-se criativamente na busca pelo equilíbrio.
A terapia é importante, mas tão importante quanto é à força de vontade do paciente na busca de seus objetivos, o auxílio da família, dos amigos e de um grupo de ajuda. Quanto mais amparado o paciente estiver, melhor será o processo de cura da depressão.
A DEPRESSAO E A FILOSOFIA CHINESA. Para entender a depressão segundo a filosofia chinesa, é necessário compreender a conceituação dos chineses acerca de mente e espírito em sua cultura. A mente, denominada de SHEN é uma das substâncias vitais do corpo, é o tipo mais sutil de energia.
O espírito é a conjugação dos cinco aspectos mentais e espirituais do ser humano, isto é, Alma Etérea, localizada no fígado, Alma Corpórea, localizada no pulmão, Inteligência, localizada no baço-pâncreas, Força de Vontade, localizada nos rins e a Mente, localizada no coração.
A energia sutil, denominada de SHEN, indica a atividade do pensamento, da consciência, da memória e da visão e insight, todas dependentes do coração. Para os chineses existe uma íntima relação entre mente e corpo realçada pela integração da essência, denominada de JING, da energia, denominada de CHI e pela mente propriamente dita. Essa essência é a origem e a base biológica da mente, pois a vida acontece através dela.
Com a união da energia YIN e YANG surge à vida, e quando essas duas essências se unem, provenientes da mãe e do pai, a mente e formada. Assim, a mente de um recém concebido forma-se das essências pré-natais de seus pais, que após o nascimento fica armazenada nos rins e proporciona a base biológica.
Entretanto, a vida e a mente de um recém-nascido também dependem da nutrição proveniente da essência pós-natal subtraída da água e dos alimentos. A energia, denominada de CHI, é produzida e transformada pelo estômago, baço-pâncreas e pulmões.
A atividade mental tem suas bases dependentes dessa energia e essência, portanto, se o CHI e o JING forem fortes e prósperos, a mente será saudável. Por outro lado, se ocorrer um esgotamento dessa energia e essência, a mente sofrerá, tornando-se infeliz, deprimida, ansiosa ou obscurecida.
Porém, a mente também pode afetar essa energia e essência. Se ela estiver perturbada por estresse emocional originando a infelicidade, instabilidade ou depressão, essa instabilidade irá desarticular tanto uma como outra.
Para os chineses o coração é a residência da mente, sendo responsável por diferentes atividades mentais. O pensamento, a consciência, a memória, a inteligência e o sono sofrem uma forte influência dessa relação.
Se a mente e coração estiverem equilibrados e fortes, a capacidade intelectual e memorização serão boas e o sono tranqüilo. Mas além dessa estreita relação entre a mente e coração, outros órgãos também têm participação intensa em nosso estado emocional.
Segundo antigas crenças chinesas a Alma Etérea, enraizada no fígado, entra no corpo logo após o nascimento. De natureza sublime e celestial, após a morte ela sobrevive ao corpo e flui de volta para a natureza.
A Alma Etérea, basicamente, é outro nível de consciência, diferente da mente, porém, intimamente ligada à ela. Estando a Alma Etérea bem enraizada no fígado, o equilibro emocional, a quantidade e qualidade do sono e dos sonhos serão boas e os relacionamentos interpessoais estarão facilitados.
Segundo essa filosofia, se Alma Etérea estiver sem raiz e despojada de sua morada o resultado será a insônia, timidez, medo e perda do sentido de direção para a vida, características muito comuns às síndromes depressivas.
O pulmão também tem uma participação singular, pois abriga a Alma Corpórea que está intimamente ligada ao corpo, sendo a expressão somática da alma. Esta tem uma estreita relação com a essência proveniente da mãe, surgindo logo após a essência pré-natal, sendo a manifestação desta na esfera das sensações e sentimentos.
Alma Corpórea está profundamente ligada ao choro e lacrimejar quando nos sujeitamos a situações emocionais pesarosas e deprimentes. Por outro lado, o baço e o pâncreas morada da inteligência, pois a energia pós-natal e o sangue são as bases fisiológicas desta. Se estiverem fortes, o pensamento será claro, a memória, a capacidade de concentração, o estudo e a produção de idéias também serão bons.
Já os rins abrigam a força de vontade, que indicam direção, determinação, propósito na busca de objetivos e motivação. A força de vontade é a base da mente, proporcionando uma direção clara nos objetivos traçados.
Assim, o esgotamento dos rins leva ao decréscimo desta força de vontade que é um dos aspectos importantes nos quadros de depressão crônica. Portanto, a interação dinâmica e constante entre essas várias esferas, psíquica, energética e somática, promovem a gênese do equilíbrio físico, mental e emocional.
Entretanto, esses mesmos aspectos atuam de forma determinante na origem do desequilíbrio emocional, contribuindo para o desenvolvimento de um estado mental enfraquecido ou perturbado, podendo até evoluir para uma síndrome depressiva.
A DEPRESSAO E O CANDOMBLE: Obá - Orixá guerreira, considerada até como uma Iansã velha. Senhora do rio Obá, na Nigéria, patrocinadora de conflitos, energia que se desenvolve nos coriscos. Mulher de Xangô.
Na natureza, Obá está ligada às enchentes, às cheias dos rios, às inundações. É ela quem vai reger todos esses fenômenos, sejam naturais ou provocados por erros humanos.
Seu encantamento é feito desta forma, quando um rio transborda, inundando tudo. Obá está presente também nos coriscos, poder que lhe foi dado pelo marido Xangô, pois ela também tem ligação com a energia elétrica, a eletricidade.
É poderosa, sábia, madura e realista. Na vida dos seres humanos, Obá rege a desilusão amorosa, a tristeza, o sentimento de perda, o ciúme, a incapacidade do homem de ter aquilo que ama e deseja. Obá é a raiva, a solidão, a depressão, o sentimento de abandono. Obá é também a frustração do homem e da mulher. Embora a lenda diga ser Obá uma guerreira, vencedora, ela consegue seu encantamento nas desilusões e frustrações, na derrota. (Podemos dizer que ao apresentar tais sintomas a pessoas está debaixo da influencia de Obá)
Pela lenda, Obá foi enganada por Oxum, que a levou a corta sua própria orelha para oferecer a Xangô, Ele, num gesto de repugnância, expulsou-a de seu reino. E toda essa dor, essa desesperança, esse abandono, ficou com marca registrada de Obá, e tais sentimentos tem a sua regência.
Quando nos sentimos traídos, abandonados, sem esperança, com raiva, frustrados em nossos objetivos, desencadeamos essa força da natureza chamada Obá, que mexe no nosso interior. E a lógica diz que Obá é a “ultima gota”, que faz transbordar nossos sentimentos. Daí sua regência também nas enchentes e inundações.
É um ato de excesso desencadeado por esta força cósmica. Se um rio enche e transborda, é porque não suporta mais o volume de água, deixando escapar “aquilo que já não cabe mais”. Isso é Obá, essa é a sua regência, seus encantamentos, sua influência.
Obá é o desabafo: “já não suporto mais...”, é a agitação do sentimento indevidamente mexido, afetado por algo ruim.
A Mitologia narra a seguinte historia. Uma vez banida do reino de Xangô, Obá se transformou numa guerreira poderosa e perigosa. Costumava vencer todos os seus opositores com relativa facilidade. Obá também possui grande beleza física, que, aliada à sua determinação, coragem e equilíbrio, fazia dela uma pessoa especial.
O desejo de possuir tão bela e corajosa guerreira, levava muitos a se confrontar com ela, mas saíam sempre derrotados. E a noticia chegou ate Ogum, rei de Ire e, guerreiro invencível.
O MENSAGEIRO TROUXE A NOTICIA:
- Meu senhor, ela é invencível!
- Eu sou invencível!, Rebateu Ogum, ao mensageiro.
- Mas ela é poderosa. Ainda não foi derrotada, Senhor!
- É porque ela não enfrentou Ogum! Disse o próprio.
E Ogum mandou que seu mensageiro fosse avisar a Obá que ele,Ogum, iria enfrentá-la, derrotá-la e possuí-la.
Obá recebeu a mensagem e retrucou:
- Que assim seja...
Ogum partiu de Ire, em busca de sua poderosa adversária e tinha em mente tomá-la para si. No campo, onde a luta seria travada, Ogum chegou primeiro e, como bom caçador, montou a armadilha para derrotar Obá.
Mandou que seus homens triturassem uma grande quantidade de quiabo e passassem pelo chão. Assim, Obá não conseguiria ficar de pé e seria facilmente vencida.
A hora chegou. Ambos estavam presentes ao campo de batalha. De um lado Ogum, o guerreiro violento e imbatível. Do outro, Obá, a guerreira bela e invencível. No meio, entre um e outro, a armadilha preparada por Ogum.
Olharam-se, estudaram-se e Obá tomou a iniciativa. Partiu para cima do adversário, sem perceber o quiabo espalhado pelo chão. O tombo foi imediato. Obá não conseguia firmar-se de pé.
Ogum, que a tudo observava, lentamente dirigiu-se à sua adversária, empunhando a espada. Obá, sentindo que seria vencida, num rápido movimento, puxou Ogum para si, fazendo com que o guerreiro também escorregasse e caísse em sua própria armadilha.
Foi uma grande luta! Não de cruzamento de espadas, mas para ficar de pé. Durante horas e horas tentaram os dois, em vão erguer-se e derrotar o oponente, mas não conseguiram ao menos colocar os dois pés no chão, sem escorregarem em seguida.
Lutaram até a fadiga total e declararam um empate. Não havia vencedor nem perdedor. Ogum, o invencível, não conseguiu vencer Obá, Por sua vez, Obá não conseguiu derrotar o poderoso Ogum.
Ali mesmo amaram-se, em respeito à força e ao encanto do outro. Afinal, são dois verdadeiros guerreiros. Ogum ainda tentou levá-la para si, mas o coração de Obá pertencia, pela eternidade, a Xangô. E ela partiu para encontrar seu próprio destino, mesmo com dor no coração.
Partes do corpo controladas por Obá: audição, orelha e junto com Ewá, “protege” o consciente. Cor: marrom-rajado. Símbolos: ofangi (espada) e um escudo de cobre.
Arquétipo: são pessoas valorosas; incompreendidas; suas tendências, um pouco viris, fazem-nas freqüentemente voltar-se para o feminismo ativo; as suas atividades militantes e agressivas são conseqüências infelizes ou amargas por elas vividas.
Os seus insucessos encontram compensações para seus insucessos, frustrações e sofrimentos em sucessos materiais. Normalmente buscam empregos onde possam estar ocupadíssimas sem tempo para absolutamente nada a não ser o trabalho, pois ali fogem da confrontação com a vida que deveriam viver.
No Candomblé a depressão pode ser tratada da seguinte forma. No candomblé com banho de ervas, com Ebó fazendo uma reza e conversando logo após com seu orixá. Ofertas de comida: Abará (massa de feijão fradinho cozido enrolado em folhas de bananeira), acarajé e amalá (quiabo picado).
A DEPRESSAO E O ESPIRITISMO: Afeta todo o ser, acarretando uma série de desequilíbrios orgânicos, sobretudo, comprometendo a qualidade de vida, tornando a criatura infeliz e com queda do seu rendimento pessoal.
André Luiz, Espírito que foi médico, atualmente, desencarnado, citado nas suas obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, do Brasil, nos diz que os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias.
A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser.
Segundo Emmanuel, Espírito, desencarnado e mentor do médium Francisco Cândido Xavier, a depressão interfere na mitose (divisão) celular, contribuindo para o aparecimento do câncer e de outras doenças imunológicas, sobretudo, a deficiência imunitária facilitando às infecções. Na depressão existe uma perda de energia vital no organismo, num processo de desvitalização.
O indivíduo perde energia por dois mecanismos principais:
1°) Perde a sintonia com a Fonte Divina da Energia Vital: o indivíduo não se armando como deve, com o sentimento de auto-estima em baixa, afasta de si mesmo, da sua natureza divina, o elo de ligação com a fonte inesgotável do Amor Divino. Além do mais, o indivíduo ao se fechar em seus problemas e mágoas, cria um ambiente vibracional negativo, que dificultada o acesso da Espiritualidade Maior em seu benefício.
2°) A criatura humana fica envolvida em torno de si mesma, não procurando desenvolver potencialidades evolutivas, vivendo intensamente as experiências e os desafios que a vida lhe apresenta, desperdiça energia nos sentimentos de autocompaixão, tristeza e lamentações. Sofre e não evolui.
A depressão está freqüentemente associada a dois sentimentos básicos: a tristeza e a culpa degenerada em remorso. Quando por algum motivo infringimos a lei natural, ao tomarmos consciência do erro cometido, temos dois caminhos a seguir:
1 - Erro > Consciência> Arrependimento> Tristeza>Reparação.
2 - Erro> Consciência> Culpa-remorso (idéia fixa) > Depressão.
2 - Erro> Consciência> Culpa-remorso (idéia fixa) > Depressão.
Outra condição que nos leva à depressão é citada pelo “Espírito François de Geneve, no Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V item 25 (A Melancolia), onde relata que uma das causas da tristeza que se apodera de nossos corações fazendo com que achemos a vida amarga é quando o Espírito aspira a liberdade e a felicidade da vida espiritual, mas, vendo-se preso ao corpo, se frustra, cai no desencorajamento e transmite para o corpo apatia e abatimento, se sentindo infeliz.
Para François de Geneve, então, “a causa inicial é esta ânsia frustrada de felicidade, liberdade almejada pelo espírito encarnado, acrescido das atribulações da vida com suas dificuldades de relacionamento interpessoal, intensificada pelas influências negativas de espíritos encarnados e desencarnados.”
Outro fator que está determinando esta incidência alarmante de depressão nos nossos dias é o isolamento, a insegurança e o medo com que são acometidas as pessoas na sociedade contemporânea.
Absorvido pelos valores imperantes como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não perder, de ser melhor, de não falhar, o homem está se afastando de si e sua natureza.
Adota então uma máscara (persona), que utiliza para representar “um papel” na sociedade. Nesta vivência neurotizante, deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções, pois estas demonstram quem de fato ele é.
Enclausurado nesta carapaça de orgulho e egoísmo, se isola e se sente sozinho. Solidão, não no sentido de estar só, mas de se sentir só. Mais do que se sentir só é a insatisfação da pessoa com a vida e consigo mesma. O indivíduo nessa situação precisa se cercar de pessoas e de coisas para ficar bem, pois, desconhece que ele se basta pelo potencial divino que tem.
A solidão é conseqüência de sua insegurança e imaturidade psicológica. Nos primeiros anos de vida, as crianças enquanto frágeis e inseguras é natural que tenham necessidade de que as pessoas vivam em função delas, dando-lhes atenção e proteção. É a fase do egocentrismo, predominantemente receptiva.
Com o seu amadurecimento, começa a criar uma boa imagem de si, tornando-se mais segura, e a partir de então, passa a se doar, a se envolver e a participar mais do mundo.
O que acontece é que certas pessoas, por algum motivo, têm dificuldades neste processo de amadurecimento afetivo, mantendo-se essencialmente receptivas e não participativas, exigindo carinho, respeito e atenção, sem se preocuparem, da mesma forma com os outros. Fazendo-se de vítimas e de pobre coitadas, sem se responsabilizarem por si.
Conseguem seu equilíbrio à custa das conquistas exteriores. Nas primeiras frustrações com que se deparam, não toleram, pois expõem suas fraquezas e isto motiva um quadro de depressão.
O tratamento sugerido pelos espíritas é ir a um centro espírita e lá, onde a pessoa será acolhida e ouvida, tentarão, através de reflexões, descobrir e trabalhar as causas da melancolia.
Será convidada a participar das palestras públicas, sobre alguma lição do Evangelho consolador e receber fluidoterapia (passes magnéticos e água fluidificada) para recuperar as forças orgânicas.
E, dependendo da situação, o caso poderá ser levada às reuniões de desobsessão, onde haverá um diálogo com o possível obsessor. Em todas as circunstâncias, a reforma íntima dos pensamentos e sentimentos do paciente é a terapia essencial para a verdadeira cura.
A DEPRESSAO E O BUDISMO. A perspectiva budista é que um egoísmo subjacente (egoísmo muitas vezes é a causa básica para que uma pessoa se sinta deprimida).
Basicamente esse sentimento é considerado como a principal disfunção psicológica desenvolvida por todos os seres de acordo com a psicologia budista, e a depressão pode ser um resultado inesperado dela.
Em notas de um ensinamento do Dalai Lama encontramos o seguinte acerca do pensamento budista em relação a depressão. Concluiu-se através de um estudo empírico, que pessoas que usam termos auto referencias (eu ou eu mesmo) tem uma tendência maior de desenvolver problemas de saúde e mortes anteriores (O Dalai Lama ouviu acerca disso por parte de um neurologista num simpósio sobre budismo e meditação em New York).
Essas pessoas têm mais envolvimento com o eu. Ser egoísta tem um efeito imediato no estreitamento e embaçamento da visão da pessoa que desenvolve tal sentimento. É como estar pressionado por uma carga pesada.
O Guru Puja diz o seguinte: Os seres vivos e seus ambientes estão cheios de problemas e sofrimentos inacreditáveis, ocorrendo uma após o outro, como chuvas , os sofrimentos são o resultado do carma negativo.
Para lidar com isso Puja ensina que os seguidores do budismo devem proferir a seguinte sentença. “Por favor, me conceda a benção para ver minha depressão como uma forma de esgotar minhas marcas cármicas negativas e abençoa-me para que possa transformar as más condições do caminho em iluminação”.
Por outro lado, se pensar mais acerca do bem-estar do próximo, isso produzirá um sentimento de expansão e liberdade. Problemas que pareciam enormes nessa fase tornam-se administráveis.
A pratica diária de dharma karmas negativos amadurecem fazendo a pessoa adoecer, assim sugerem que a pessoa deve alegrar-se quando estiver deprimida. Ao invés de aceitar a depressão devolva-a para a atitude de auto-admiração.
Use a depressão como uma bomba para destruir a concepção errada do EU, passando a meditar sobre o vazio existente nesse EU. Estas são algumas maneiras de usar a depressão para atingir a iluminação mais rapidamente.
Ao usar esse método a pessoa desenvolve compaixão e a bodhichitta coletando méritos tão vastos como o espaço ilimitado, purificando quantidades inacreditáveis de carma negativo.
Esses ingredientes são usados como uma poderosa bomba para destruir a concepções erradas existentes no EU, pois essa é a primeira causa para a depressão.
O demônio trabalha impedindo a iluminação, a libertação do samsara para as realizações que são na verdade a porta para todos os problemas enfrentados pela pessoa. Eles sugerem também que se faça praticas preliminares como o Varjasattva para purificar o carma negativo qe a depressão causa.
A DEPRESSAO E O ISLAMISMO: Os muçulmanos não devem ser fatalistas. Embora saibam que somente Deus esta no controle de todas as coisas e decretou tudo, reconhecem que cada individuo é responsável por fazer a escolha certa e proceder corretamente diante das situações apresentadas pela vida. Devem trabalhar para aliviar as dificuldades deles mesmos, dos familiares e da comunidade onde vivem.
Amarre seu camelo, faça sua parte. Um dia o profeta Muhammad, notou um beduíno deixando seu camelo sem amarrar. Então dirigindo-se ao beduíno disse: Por que não amarrou seu camelo? O beduíno respondeu: “Eu coloquei minha confiança em Deus para o guardar”. O profeta então disse: “amarre o camelo primeiro e, em seguida coloque sua confiança em Deus”. (Tirmidhi).
Pergunte a si mesmo o seguinte: Estou preocupado com o estado do mundo? Se estiver, você é parte do movimento da paz? Masjid é sua parte do movimento da paz? Voce faz parte de um grupo inter-religioso com uma agenda de paz e justiça? Voce esta trabalhando contra a discriminação?
Se sua resposta para qualquer das perguntas anteriores foi não é tempo de sentar-se e planejar sua cota de tempo e dinheiro na busca de solução dos problemas que enfrentamos e são causados pela depressão. “Em verdade, Deus não muda a condição dos homens, a menos que esses mudem o seu EU interior”.
Como todo mundo, os muçulmanos também têm sua experiência com a depressão. O Alcorão e o Hadith islâmico oferecem receitas para o tratamento da depressão nos seguidores do islamismo.
Entendem que devem admitir a responsabilidade quando prejudicam os outros e reconhecer a realidade em sua forma primaria através da qual os muçulmanos são encorajados a procurar ajuda para lidar com a depressão.
Em suma, admitem que a depressão procede de atitudes reprováveis que praticam contra seus semelhantes, o que gera culpa e conseqüente depressão. As recomendações Islâmicas para a depressão recorrem do Alcorão.
As sugestões para a cura da depressão segundo o Islã são as seguintes:
Resista a ansiedade e encontre maneiras de reduzir as preocupações. Expresse paciência para com coisas que não consegue controlar. Reconheça que a força de vontade e a fé ajudam a suportar as dificuldades produzindo grandes recompensas. Estas são as recomendações do Hadith (as palavras e atos do Profeta (PECE).
Resista a ansiedade e encontre maneiras de reduzir as preocupações. Expresse paciência para com coisas que não consegue controlar. Reconheça que a força de vontade e a fé ajudam a suportar as dificuldades produzindo grandes recompensas. Estas são as recomendações do Hadith (as palavras e atos do Profeta (PECE).
Reconheça que os problemas ajudam na limpeza das depravações. O profeta Mohammad ensinou que “quando Deus tem desejos bons para seus escravos, se apressa em trazer seu castigo neste mundo se esses não desejarem ser bons para Ele”. (logo entendem que a depressão é um castigo de Deus para a falta de obediência).
Aceitar que o mundo é um lugar difícil e com graves problemas. Os seguidores do Islã se antecipam a esperança do Paraíso onde todos os problemas são solucionados e a alegria esta em todos os lugares, quando entendem que este é um mundo cansado.
Hadith oferece ao muçulmano que esteja lutando a seguinte visão: “o crente nunca vê o mundo como sua casa, mas como habitação temporária, cheio de experimentações até chegar a sua casa final de Jannah”. Libertação e alegria são suas recompensas no Paraíso.
Use remédios naturais para a depressão. O Islã reconhece os benefícios de uma dieta saudável para o bem-estar físico e espiritual. Além disso, incentiva o consumo de vitaminas e o uso de ervas para equilíbrio do corpo.
Deixe o mundo para trás cinco vezes por dia. Use orar cinco vezes por dia como meio de obter uma vida orientada e menos ligada a este mundo temporário.
Inicie distanciando-se do mundo para ser capaz de ouvir Adhan, a chamada a oração. Quando executar o Wudu, repetindo Shahada, ou seja, a declaração de fé deslizará sobre seu rosto, mãos e cabelos como gotas de água produzindo refrigério.
Evidentemente, Satanás tentará distraí-lo durante a oração. Isso sempre acontecerá, porém, vá recue e recorde de Allah. Quanto mais se lembrar dele, mais Deus o recompensará.
Além disso, certifique-se de que suas prostrações (Sajdas) estão falando e que você esta realmente conectado a Deus na busca por misericórdia, sempre O louvando e pedindo perdão.
Procure ajuda através do Sabr e Salat (Alcorão 2.45). Esta instrução de Deus nos fornece duas ferramentas essenciais que podem aliviar as nossas preocupações e dor. A paciência e a oração que são freqüentemente negligencias.
Sabr é frequentemente traduzido por paciência, mas não é só isso. Inclui o auto-controle, perseverança, resistência e uma luta orientada para alcançar um objetivo. Ao contrário da paciência, o que implica em renuncia, o conceito de Sabr ensina que o muçulmano deve permanecer firme para atingir seus objetivos apesar de todas as pressões e dificuldades.
Ser paciente dá controle em situações onde não sentem nenhum controle. “Não podemos controlar o que acontece conosco, mas podemos controlar nossa reação quanto as circunstancias”, tem sido o mantra de muitos livros de auto-ajuda. A paciência nos ajuda a guardar a mente diante das dificuldades, enquanto se busca a solução.
Não é possível controlar-se as variações estabelecidas no mundo. Deus faz. Ele e Prudente e Sapientíssimo. As limitadas faculdades humanas não são capazes de compreender Sua sabedoria por trás do que acontece a nós e aos outros, mas sabendo que Ele está no controle e que como seres humanos nos submetemos a Sua vontade, isso ajuda a enriquecer a humanidade e valoriza nossa obediência (Uboodiah em árabe).
Leia a história do encontro de Moisés com os mistérios existentes por trás da decisão de Deus (Alcorão 18.60-82). Familiarize-se com os 99 nomes de Deus que revelam seus atributos. Essa é uma forma poderosa de conhecê-lo e livrar-se da angustia produzida pela depressão.
“Deus na há outra divindade além de Ti, o Eterno e fonte de todo o ser. Não dormes, nem pestaneja. Seu é tudo o que está nos céus e na terra. Quem poderia interceder junto a Ele, a não ser por sua permissão e vontade? Ele sabe tudo e está aberto diante dos homens e o que está oculto é culpa dos homens que não podem alcançar coisa alguma com seu conhecimento humano que os salve e os leve a alcançar o poder Eterno que transborda sobre céus e terra. Sua defesa não se cansa. Ele é verdadeiramente exaltado e tremendo”. (Alcorão 2.255).
O profeta recomendou a leitura deste verso conhecido como kursi avat AL, após cada oração. Uma vez que Allah esteja satisfeito se aproximará do crente e concederá paz e bênçãos de Deus para ele. O mesmo deve como o profeta, continuar repetindo as palavras que fazem parte desse verso “Ya Ya Hayy Qayyum”.
Se usar seu tempo em Zikr e escolher um Tasheeh e fizer isso ao invés de ouvir radio ou ler jornal, vera a diferença no planejamento de sua vida. Recite o Tasheeh de “Subhana Allahe Wa ser Hamdihi Subhan Allahil Azeem” 100 vezes dirigidos a Allah.
O profeta ensinou duas frases curtas e fáceis de dizer, mas que pesam muito na escala de boas ações. Quando sentir seu coração deprimido e pesaroso por causa do sofrimento e estresse, lembre-se de Deus acerque-se de Sua Zikr que se refere a todas as formas de recordação de Deus, incluindo ainda, Salat, Tasbeeh, Tahmeed, Tahleel suplicando (DUA) junto com a leitura do Alcorão. “O Senhor diz: Clama a mim e vou responder sua oração” (Alcorão. 40.60).
A DEPRESSAO E O JUDAISMO: Em Geral, quando se fala em depressão, devemos distinguir entre a causada por uma condição neurológica(medica) e a que é causada por coisas que nos incomodam.
A atitude contida na Tora para o primeiro tipo provocada pelas alterações bioquímicas que afetam o cérebro é que, essa pode ser corrigida com o uso de medicação apropriada, assim como a dor física, distúrbios digestivos, e problemas respiratórios por conta de mudanças fisiológicas.
É preciso, portanto, consultar os peritos e submeter-se a psicoterapia e/ou tomar um dos muitos medicamentos vendidos pela industria farmacêutica, prescritos para aliviar a depressão clinica. Temos inclusive uma questão interessante acerca disso.
Certa pessoa que costumava derramar-se em lágrimas quando orava, percebeu que ao tomar anti-depressivo sentia uma dificuldade maior em conectar-se com Deus e se deveria parar com o medicamento?
Rabeinu Yonah(Espanha, 1200-1263) abordou a questão da seguinte maneira: “Ainda há um aspecto benéfico para a tristeza que impede as pessoas de se tornarem excessivamente alegres acerca dos prazeres deste mundo.
No entanto, não se deve buscar o estado de tristeza, pois nesse caso estaríamos desenvolvendo uma doença física. Quando uma pessoa se encontra infeliz, não é capaz de servir ao Criador corretamente”.
Ainda que de forma admirável a pessoa tenha usado a depressão para sentir Deus de perto, é preferível que enfrente o desafio de encontrar a espiritualidade como uma pessoa saudável. Quanto a depressão causada por coisas que nos preocupam, é inaceitável diante de Deus.
No Kuzari, Rabi Yehudah Halevi (Espanha, 1705-1741) afirma o seguinte: “Não esta em conformidade com a Tora aquele que se preocupa ou se angustia por toda a vida; o que assim procede, transgride o mandamento do Todo-Poderoso, pois não é capaz de se contentar com o que por Ele tem sido dado, pois Ele mesmo diz que devemos nos alegrar com todas as coisas boas concedidas por Ele. (Dt.26.11).
O Rabino Samson Raphael Hirsh (Alemanha, 1808-1888) cita um talmúdico em oposição a depressão: O judaísmo nunca considerou a dor, a tristeza, o auto-sofrimento como objetivos validos. O oposto é verdadeiro. “Deve-se buscar a felicidade, alegria, e o prazer, pois o Shechiná (Presença Divina) não habita em lugar de tristeza, mas onde reina a felicidade”.
O Zohar (em Hebraico “esplendor” é considerado um dos trabalhos mais importantes na Cabala – misticismo judaico) vai tão longe como dizer que a tristeza tem elementos de idolatria, proclamando que a depressão dá prioridade aos desejos pessoais colocando-os acima dos de Deus.
A Torá promete punição para aqueles que não servem a Deus, o Senhor com coração alegre (Dt.28.47). Se somos responsáveis pela dor, então devemos ter o controle dela. Isso esta implícito nas palavras do Rabino Nachman de Breslav que disse: “É um grande mandamento (mitsvá) ser eternamente feliz e ultrapassar os sentimentos de tristeza e melancolia rejeitando-os”. A questão é como fazê-lo?
Uma das formas usadas é a que se utiliza de medidas externas. O rei Saul, foi atingido pela profecia, sentiu-se deprimido quando o Espírito de Deus foi retirado dele e foi possuído por um espírito mau. Então, seus conselheiros mandaram chamar Davi para tocar harpa e com a musica ajudar no processo de libertar Saul das manifestações malignas.
A intenção de Saul era que o Espírito de Deus retornasse para sua vida restaurando nele a unção para reinar e o espírito profético, afastando a tristeza de sua vida. “E isto aconteceu quando o espírito de melancolia sobre Saul, Davi tocava harpa e Saul se sentia aliviado” (1Sm.16.23). Saul era rei, mas quando o Espirito de Deus o deixou a tristeza dele se apoderou.
Mesmo as pessoas com o mesmo nível de existência dos demais humanos podem usar a musica para acessar nosso espírito. A dança, exercícios, engajado nas artes plásticas são formas de obter um salto para dentro do emocional das pessoas.
Esse método é apesar um paliativo, produzindo alivio aos efeitos da depressão e não agindo diretamente na causa sem produzi a cura definitivamente. A maneira mais eficaz de curar a depressão, segundo o judaísmo é tratar a fonte da tristeza, alterando a forma como pensamos.
O Baal Shem Tov observou que a idéia é sugerida pela natureza esotérica do idioma hebraico. Reorganizando as letras da palavra “pensamento” (Machshava) obteremos como resultado a palavra “felicidade” (Bsimcha). Abaixo temos alguns exemplos.
Uma fonte comum na geração de infelicidade é o fracasso em alcançar os objetivos estabelecidos na vida. Isso pode levar a pessoa a desenvolver baixa auto-estima. A erosão da auto-estima produzirá mais falhas, causando uma espiral descendente para dentro do abismo da tristeza.
Pode-se evitar esse ciclo vicioso, definindo metas realistas desde o inicio quando são estabelecidos os objetivos. Contudo, se a tristeza já se estabeleceu, é possível parar o efeito bola de neve a curto prazo estabelecendo-se objetivos fáceis que reforcem a confiança capacitando a pessoa para que alcance os objetivos de longo prazo e que correspondem a metas mais significativas. Isto produzirá uma espiral ascendente tirando a pessoa do abismo e colocando-a no nível do solo.
Outra fonte de tristeza é o sentimento de que não temos tudo o que queremos. Os sábios judeus ensinaram o seguinte acerca disso. “Quem verdadeiramente é rico? Aquele que está satisfeito com sua parte”.
Um bem sucedido banqueiro confessou o seguinte: “Quanto mais conseguia angariar mais sentia que faltava até que finalmente conseguiu ter tudo e ainda assim sentia que não tinha nada”.
Em contraste, um homem pobre, uma vez queixou-se ao Maggid de Mezeritch sobre sua pobreza. O Maggid o enviou para Rebe Zusha de Anipoli a fim de emitir parecer para o homem. Rebe Zusha que sofreu com extrema pobreza e saúde precária disse: “Eu não sei porque o Maggid enviou a mim, bastava contar acerca do meu contentamento em meio as minhas dificuldades, entendendo que o bem mais precioso que possuo é a vida”.
As pessoas também se deprimem por causa das coisas ruins que lhes sucede. Os rabinos sugerem que contemplar o bom no mau ajuda a atenuar a melancolia. Davi chorava enquanto fugia de Absalão enquanto subia ao monte das Oliveiras (2Sm.15.30).
Contudo, Davi concluiu que melhor era que o rebelde fosse seu filho do que qualquer outro homem que o teria matado. Por fim, não se desesperou, mas começou a cantar. Salmo de Davi enquanto fugia de seu filho Absalão (Sl.3.1).
Finalmente é preciso perceber que tudo vem de Deus para o bem supremo. Um observador familiarizado com a cirurgia não a considera um ato terrível. O cirurgião porém, entende que as vezes tem que cortar para tornar uma pessoa saudável e salvar sua vida.
Em ultima analise, sempre poderá haver uma reviravolta onde a situação deprimente seja alterada produzindo a cura definitiva. Abraão sofreu com a esterilidade de Sara sua mulher por muitos anos até que um dia, inesperadamente ela engravidou e ambos foram abençoados com um filho (Isaque) dando continuidade a geração da nação judaica.
Nesse aspecto da visão judaica, pode-se considerar que tudo acabará bem, se considerarmos que Deus esta participando de todo o processo, mesmo quando a pessoa está no abismo da tristeza.
A DEPRESSÃO E O HINDUÍSMO: Hinduísmo é principal religião da Índia e tem em seu cerne uma espécie de misticismo ético, baseado em suas escrituras sagradas. Sua essência é o amor a vida em todas as formas. Acredita que uma ação nesta vida ou Karma irá gerar conseqüências na vida futura.
A Samsara (Reencarnação – na roda da vida) pode estar a um nível superior ou não dependendo as ações em curso. Aceita o corpo e a alma como parceiros iguais na vida e o uso de ambas na vida religiosa.
Quando os hindus se encontram, cumprimentam Deus como presente em outra pessoa. Muitos hindus acreditam que a prática religiosa envolve o despertar do “chakras” (segundo a filosofia ioga, canais dentro do corpo humano (nadis) por onde circula a energia vital (prana) que nutre órgãos e sistemas) que deixam fluir livremente a energia divina existente no corpo. Esta concepção está incluída nas idéias orientais e ocidentais de corpos de energia ou “aura” que envolvem o corpo físico.
A depressão é uma doença universal, tem predominado na sociedade desde tempos imemoriais. Suas características clínicas foram descritas na literatura indiana antiga por Sudarka, um renomado dramaturgo do II século BCIT um lugar proeminente nos escritos sagrados da Índia.
Sua literatura mitológica, incluindo os épicos gêmeo, o Ramayana (Ramayana (devanaggár - transl. Rāmāyaṇa - é um épico sânscrito atribuído ao poeta Valmiki, parte importante do cânon hindu (smṛti). O nome Rāmāyaṇa é um composto tatpurusa de Rāma e ayana "indo, avançando", cuja tradução é "a viagem de Rama". O Rāmāyaṇa consiste de 24.000 versos em sete cantos (kāṇḍas) e conta a história de um príncipe, Rama de Ayodhya, cuja esposa Sita é abduzida pelo demônio (Rākshasa) rei de Lanka, Rāvana. Seus versos são escritos numa métrica de trinta e duas sílabas chamada de Anustubh.) e o Mahabharata.
No Mahabharata (O Maabárata conhecido também como Mahabharata (devanágar - transl. Mahābhārata), é um dos dois maiores épicos clássicos da Índia, juntamente com o Ramáiana. Sua autoria é atribuída a Krishna Dvapayana Vyasa. O texto é monumental, com mais de 74.000 versos em sânscrito, e mais de 1,8 milhões de palavras; se o Harivamsa for incluído como sendo anexo e parte da obra, chega-se a um total de 90.000 versos, compondo o maior volume de texto numa única obra humana.
O Maabárata é sem dúvida o texto sagrado de maior importância no hinduísmo, e pode ser considerado um verdadeiro manual de psicologia-evolutiva de um ser humano. A obra discute o tri-varga ou as três metas da vida humana: kama ou desfrute sensorial, artha ou desenvolvimento econômico e dharma a religiosidade mundana que se resume em códigos de conduta moral e rituais, obrigatórios para quem deseja o desfrute e o poder econômico que adquire o desfrute.
Além dessas metas mundanas o Maabárata trata de moksha, ou a liberação do ciclo de tri-varga e a saída do samsara, ou ciclo de nascimentos e mortes. Em outras palavras, é uma obra que visa o conhecimento da natureza do "eu" e a sua relação eterna com toda a criação e aquilo que transcende a ela. O Maabárata estabelece os métodos de desenvolvimento espiritual conhecidos como Karma, jñana e bhakti, firmemente adotados pelo hinduísmo moderno), Arjun sofria com a doença. Ele diz: "A mente é muito inquieta, enérgica e forte, ó Krishna, Krishana é mais difícil controlar a mente do que o vento.
"A mente é a causa tanto do cativeiro quanto da libertação”. O verso é um trocadilho etimológico, Manu; humano derivado do homem "para pensar". Milkon rimados que dizem que a mente está em seu lugar próprio; que pode fazer do inferno, céu e do céu, inferno.
Mente, que deveria ter sido fonte de alegria “Ananda”, torna-se uma fonte de “dukha” (tristeza). Em Atharvaveda (O Atarvaveda (também grafado Atharvaveda ou Atharva Veda; em sânscrito: atharvavéda, um composto tatpurusha de atharvān, um tipo de sacerdote, e veda que significa "conhecimento") é um texto sagrado do hinduismo, parte dos quatro livros dos Vedas: o quarto Veda.
De acordo com a tradição, o Atharvaveda foi principalmente composto por dois grupos de rishis conhecidos como os Bhrigus e os Angirasas. Adicionalmente, tradições atribuem partes a outros rishis, tais como Kauśīka, Vaśīṣṭha e Kaṣyapa. Existem duas versões sobreviventes (śākhās), conhecidos como Śaunakiya (AVS) e Paippalāda (AVP) –
(O Atharvaveda, enquanto indubitavelmente pertencente ao corpo védico principal, de algumas maneiras representa uma tradição paralela independente àquela do Rigveda e o Iajurveda. Os textos jainistas e budistas são consideravelmente mais hostis ao AV (eles o chamam Aggvāna ou Ahavāna Veda) do que eles são a outros textos hindus.
Eles até o chamam de Veda não-ariano preparado pela tradição Paippalāda para sacrifícios humanos. Os textos hindus também têm tido uma visão menos caridosa e têm, em algumas ocasiões, omitido a referência ao texto Atharvān no contexto de literatura védica, embora alguns atribuam isso ao fato de que o Atarvaveda foi uma adição cronologicamente posterior.
Os próprios Pariśiśhthas atarvanos (apêndices) afirmam que sacerdotes específicos de escolas Mauda e Jalada deveriam ter evitado. É até afirmado que mulheres associadas ao Atharvān poderiam sofrer abortos.), a mente tem sido chamada de sexto sentido, que é ativado em nos como o ser Supremo.
O CONCEITO DE MENTE EM VEDAS (10.000 A 5.000 a.C): O conceito de mente foi concebido para ser um elemento funcional de Atman (alma, que é auto) em Vedas, que são os primeiros escritos da raça humana. No Rigveda e Yajurveda há menção de oração através de mantras para nobres pensamentos para virem à mente.
Foi mencionado que os pensamentos determinam a aparência facial e podem ser purificados através de mantras e purificar os pensamentos instintivos. No Veda existe uma ênfase na prevenção da dor mental (depressão).
No Rigveda, a velocidade da mente, a curiosidade para os métodos de felicidade mental, orações para a felicidade mental e os métodos de aumento de inteligência(medha) têm sido descritos. Foi ainda indicado em Rigveda que a purificação da mente previne doenças em seres humanos, que deveria ter pensamentos nobres.
O poder da mente na cura também tem sido descrito. A primeira vez em que os três traços de personalidade, Sattva, Rajas e Tamas foram descritos, também foram incluídas orações para que as doenças mentais não destruíssem o corpo.
Em Yajurveda a mente tem sido conceituada como a chama interior de conhecimentos. Para eles o conhecimento é a mente, a mente é descrita como Yog e Samadhi (estado de espírito), todos os nossos órgãos sensoriais estão sob o controle da mente e funcionam sob seu controle.
Segundo Bhagvad Gita os sentidos e os objetos vivem em constante explosão na mente, descritos como senhora do carro, usando como carro o corpo. A inteligência é o condutor do carro e a mente as rédeas.
Os sentidos são considerados como os cavalos, os objetos dos sentidos são as estradas. Os sentidos (cavalos) devem ser controlados pelo cocheiro(buddhi), através das rédeas, a mente. A Mente restringida ou desenfreada pelo cocheiro acaba conduzindo à região de alegria viva ou o ciclo de nascimento e renascimento (samsara), respectivamente.
A mente do homem é como um campo de batalha:«manahkshetra", na qual há um estado de guerra interminável entre forças opostas. Esta disputa constante dentro da mente é chamada de "psychomacia" pelos antigos gregos.
Era o Ayurveda (1500-1400 a.C) Ayurveda deriva suas raízes do Athervaveda e é uma das ciências antigas, o que significa ciência da vida. Os documentos escritos são clássicos Charak Samhita e Shushrut Samhita.
Estas duas descrevem distúrbios mentais, tipos de personalidade de acordo com o trigunas-satva, Raj e tam-tridoshas e os três humores no corpo do IVA, pitta, kapha. Os 14 são fatores causais mencionados para distúrbios mentais são descrito como se segue -
1. Pragyaparadh envolve comportamentos socialmente sancionados e que estejam presentes nas ações decorrentes da inveja, orgulho, medo, raiva, ganância, atração, orgulhoso e ilusão.
2. Bramhacharya Anuchit - Aquele que está fora seguindo as regras de brahmacharya, que inclui Indriya Nigrah, ou seja, o controle sobre as exigências dos instintos. Devido a isto, quando a pessoa realiza atividades para satisfazer suas necessidades instintivas não é capaz de controlar sua mente , criando um conflito que leva a transtornos mentais como a depressão.
3. Satva Durbal - Pessoas que têm características satva fracas têm raj para aumentar as características da TAM, o que leva a emoções como raiva e descontrole emocional, produzindo transtornos mentais.
4. Durbal Sharir - esta relacionada as deficiências nutricionais o que conduz a uma estrutura física enfraquecida pela deficiência desses elementos bem como a transtornos mentais.
5. Sharir vikriti dosh tem acordo com Sushrut e Charak, e age aumentando um dos três humores do corpo, anulando os efeitos de IVA, pitta ou kapha que levam a distúrbios mentais como insônia, raiva, medo, etc.
6. Dosh Manas - (fatores psicológicos) conflitos emocionais que surgem da desordem do Raj e TAM.
7. Karan Agantuk - Envolve fatores externos que afetam o corpo com bactérias e maus espíritos.
8. Kardravya Manobhighat - Traumas percebidos na mente devido ao abuso de substâncias.
9. Vihar Malinahar – Manifesta-se por conta de má alimentação e estilo de vida ruim que levam ao aparecimento de doença mental.
10. Manoabhighat - Traumatiza à mente por causa do stress.
11. Manah-Ashasht – Conflitos que surgem na mente.
12. Ojokshaya - Perda de confiança levando a pessoa fraqueza de espírito e a depressão.
13. Ayukta nidra – Produz um desejo de dormir excessivo e inadequado o que também produz doença mental.
14. Chintya – Desenvolve ansiedade no homem.
Segundo a Vedanta, a estrutura do homem pode ser dividida em cinco camadas de material envolvendo Atman. Atman é o núcleo da personalidade. Ela é representada no diagrama pelo símbolo místico .
Os cinco círculos concêntricos em torno do símbolo representam as cinco camadas da matéria. Eles são chamados de bainhas (koshas) em sânscrito. Primeiro Anna-Kosh maya, o corpo humano bruto é composto da panchmahabhutas-Akash que são os cinco elementos primordiais (vácuo), Vayu (ar), Agni (fogo), Jal (água) e Prithvi (Terra). Está diretamente sob controle do Kosh pranmaya (corpo sutil) que consiste na energia vital.
As próximas três bainhas (koshas) são: Manomaya, Vigyanmaya e Anandmaya pertencem às faculdades mentais de uma pessoa. O kosh Manomaya recebe todas as entradas sensoriais e como interprete julga classificando como bons ou maus e os bons desejos.
O sentimento de 'eu' e 'meu' pertencem a Faculdade de inteligência e raciocínio e constituem a quarta bainha ou kosh Vigyanmaya. A quinta bainha ou (Kosh Anandmaya) representa a área de prazer e intimidade nas proximidades da alma.
Quando se considera os sintomas de depressão, a religião se torna evidente nas idéias de culpa e pecado, sendo que sua expiação ser dá pelo ato de suicídio. Letargia e preguiça são consideradas como um sinal e símbolo da possessão por parte de demônios e diabos.
Na Índia, a psiquiatria e psicólogia usam a religião como psicoterapia. O individuo executa determinada função enquanto responder a pergunta sobre o último sentido, que dá suporte emocional, o sentido de coesão social e orientação para a vida. O equilíbrio da mente e sustento da paz tem sido o objetivo de todas as filosofias.
Estados Gita trabalham ajustando o homem da seguinte forma: "Vamos levantar o homem por si mesmo através do seu próprio eu, para que não se degrade”. “O próprio eu que é seu amigo e seu inimigo”. "A própria mente tem função preventiva e curativa”.
Atitudes e hábitos saudáveis, pensamentos positivos, bons sentimentos e disposições também podem oferecer equilíbrio. Tudo isso, disponibiliza um sem numero de recursos que estão disponíveis para a operação da cura. Isso tem sido chamado de "Anjeneya complexo", e é explorado na psicoterapia indiana.
Desde que a Índia tem sido o viveiro de santos e sábios, cientistas e fundadores das principais religiões do mundo e de certas práticas de ioga, ambas trabalham juntas para ajudar o individuo a alcançar o estado estacionário da mente.
Maharshi Patanjali, o pai do conceito moderno de ioga e médico definiu a ioga completo como o exercício do domínio da mente e das emoções. É uma ciência, que nos mostra o caminho para unir o corpo e a mente.
A única forma de ioga, que tem sido estudada cientificamente, é a meditação transcendental, técnica especial de meditação ensinada por Maharishi Mahesh Yogi. Afirma que, depois de períodos regulares de meditação por alguns meses, o indivíduo se torna mais resistente ao stress da vida, funciona com maior eficiência e tem menos possibilidade de ser dependente de álcool ou drogas.
A terapia védica enfatiza a dieta Satvic que produz grande efeito sobre o temperamento do homem. A ausência de uma dieta vegetariana torna o homem lascivo, vingativo e furioso, enquanto que a dieta vegetariana o faz mais dócil e suave. Os Vedas recomendam que o homem abandone a letargia e leve uma vida de ações.
Certos rituais hindus como Bhajans, Kirtans, mantras Namapathy chamados por Swami Sivananda de Rishikesh ajudam na eliminação de repressões e resistências e trazem para o campo da consciência o despertar de muitas unidades, como, as emoções e os complexos que foram criando dificuldades no inconsciente.
Ajuda a alcançar um estado de relaxamento profundo. Da mesma forma, existem em certos festivais hindus cerimônias associada não só com os deuses e deusas, mas também com o sol, lua, planetas, rios, oceanos, árvores e animais.
Algumas das festas populares Deepawali, Holi, Dussehra, Ganesh Chaturthi, são hindus, o que permite que as pessoas compartilhem suas alegrias e tristezas ajudando a elevar o humor.
Essas ocasiões festivas e práticas religiosas tornam a tradição indiana em algo rico e colorido. Dá poderes, dá tolerância, adaptabilidade, coragem, cooperação, paciência e humildade, virtudes que ajudam na restauração da saúde, gerando harmonia e felicidade para nossa vida em sociedade.
A DEPRESSAO E O CRISTIANISMO: A depressão pode ser vivenciada por qualquer um e de inúmeras maneiras. Pode manifestar-se como um infortúnio "suave", ou pode ser mais negro do que o mais profundo abismo.
A depressão nem sempre pode ser evitada, pelo contrário, podemos experimentar nós mesmos ou sermos chamados para socorrer alguém que esteja sofrendo com as causas delas. Existem inúmeras chances de um dos dois aspectos virem a ocorrer na vida de qualquer pessoa. Lembre-se de que a depressão pode ser tratada e curada.
É de consciência mundial o aumento dramático na incidência de depressão diagnosticada nessa ultima geração. No cristianismo existem inúmeras pessoas que sofrem com a depressão e não podem ser ajudadas, mesmos pelos membros bem intencionados das igrejas. E por que?
Porque há muitos equívocos entre os cristãos acerca do que é depressão e suas causas. Alguns segmentos do cristianismo conservador pintar a psicologia e em especial a depressão como sendo fruto do pecado não tem ajudado o cristão deprimido, deixando-o com poucas alternativas. Veremos alguns equívocos que algumas igrejas cometem na hora de lidar com a depressão e o cristão depressivo.
Muitos seguidores de Cristo acreditam que a depressão é uma condição que não pode ser experimentada pelo fiel seguidor do Senhor, por conta de alguns pregadores que declaram que estar deprimido é estar em pecado e que cristãos não devem viver no pecado.
O conselho, em linhas gerais é: “Ore e a depressão irá embora”. Muitos escritores e pregadores influentes, que como papagaio repetem esse conselho aos cristãos acabam denegrindo os profissionais de psicologia ao longo do caminho.
Há casos extremos, como por exemplo, o de certa paciente que ligou para um pregador pedindo ajuda acerca da depressão e ouviu o seguinte: “Sua depressão é causada por um Deus que está se vingando de seus pecados e por isso decidiu castigá-la”.
Outro conselheiro desses disse que a depressão era resultante do pecado não confessado e, para obter a cura bastava fazer confissão dos pecados ocultos e a libertação aconteceria instantaneamente. Contudo, quando a depressão permanecia afetando o individuo a sugestão seguinte era que se a depressão continuasse afetando a pessoa, era porque a confissão não foi feita com “fé”.
O que há de errado com tais generalizações e os conselhos? Primeiro simplificam demais as causas da depressão oferecendo muito pouco em termos de aconselhamento sobre o tratamento. Presumem que há apenas um tipo de depressão e uma maneira de tratá-la.
Entretanto, a depressão não é apenas uma tristeza ou sentimento “azul”. É uma condição psicológica e são diferentes em diagnósticos uma da outra por causa da variação nos sintomas apresentados.
Além disso, os defensores destas idéias simplistas ignoraram o peso da investigação científica sobre a depressão e os tratamentos eficazes que existem para combatê-la.
Finalmente, é puro engano supor que se não se pode ver a causa do problema, ou seja, se não há nenhuma evidência de distúrbio orgânico, o problema é espiritual. Espiritualizar problemas tem sido um grande equivoco no meio cristão.
Essa posição revela falhas cientificas, bem como falhas no conhecimento bíblico. Nas Escrituras encontramos vários casos de cristãos deprimidos sem que a causa fosse o pecado. No "Evangelho de Lucas", temos a experiência de Jesus antes de sua prisão no jardim do Getsemani. Enquanto os discípulos dormiam, ele se ajoelhou para orar Jesus:
“...e ele se ajoelhou e começou a orar, dizendo: Pai, se possível, passa de mim este cálice sem que o beba”...E, posto em agonia, orava com mais fervor, e seu suor tornou-se como gotas de sangue...”(Lc.22.42,44).
Sendo plenamente Deus, Jesus foi capaz de compreender o sofrimento existente em sua prisão e execução iminente que faziam parte do plano original de salvação do homem, mas ser plenamente homem, bem, ele estava claramente muito deprimido com tal perspectiva.
De fato, segundo Lucas, a depressão de Jesus foi tão intensa que sua oração agonizante resultou no rompimento de pequenos vasos sanguíneos em sua testa, misturando-se com o suor das glândulas de sudoríparas. Este fenômeno incomum médicos é conhecido como "hematidrose" (é um fenômeno raríssimo apenas uma fraqueza física excepcional onde o corpo inteiro dói, acompanhada de um abatimento moral violento causada por uma profunda emoção, por um grande medo. Apenas um ato destes pode causar o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glandulas sudoriparas glândulas onde o suor anexa-se ao sangue formando a hematidrose. A hematidrose pode ser entendida como uma transpiração de sangue acompanhada de suor.).
A depressão é sempre resultado do pecado? Seria extremamente difícil encontrar qualquer cristão conservador que afirme que Cristo era culpado de "pecado não confessado".
Outro conceito errôneo perpetuado por algumas pessoas na Igreja, é que a depressão é um castigo de Deus para o pecado, mas este argumento tem falhas teológicas também.
A Bíblia informa, que se rejeitarmos a Cristo, serão julgados e punidos por isso (Quem me rejeita a mim, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.Jo.12:48).
Se o castigo for aplicado agora, o que seria do arrependimento? Isso estabeleceria um ciclo de arrependimento e castigo, porém esse conceito não é bíblico. Ainda que Deus possa repreender e castigar seus filhos (Ap.3.19), não o faz nesta vida através de depressão ou qualquer outra coisa.
A depressão pode se agravar quando o individuo vira as costas para Deus, mas não é causada por essa conduta, ou seja, Deus não inflige castigo a seus filhos fazendo uso da depressão.
Há uma corrente cristã que crê que a depressão é causada pela ausência de fé. A implicação para tal hipótese é que os cristãos por causa de algum fracasso espiritual se tornam deprimidos.
É bem verdade que algumas depressões são causadas ou agravadas pela incapacidade do cristão de lidar com o padrão divino para a vida do ser humano de maneira geral, mas o fato é que a maioria das depressões pouco tem a ver com essas coisas.
Quando confrontados com traumas, as pessoas tendem a responder de forma diferente aos acontecimentos. Reconhecer a dor e as perdas introduzirá a pessoa no processo de cicatrização o que produzirá bem estar para o traumatizado.
Todavia, a depressão muitas vezes resulta em dor quando sentimentos são reprimidos ou tenta-se negar a existência deles. Ao invés disso, as pessoas devem liberá-los. Os cristãos, de maneira geral, acreditam que ser forte é não demonstrar emoções verdadeiras, pois isso significaria fraqueza na fé.
No entanto, uma pesquisa realizada nos EUA depois do Katrina, mostrou que o processo de recuperação do trauma pode levar de 2 a 10 anos quando relacionado a perda de um ente querido. Devemos nos permitir passar pelo processo da dor sem reprimi-lo.
Quando reprimimos ou resistimos a dor se torna persistente e acaba afetando as pessoas num nível subconsciente, o que produzirá além da depressão outras emoções conturbadas e tóxicas.
Pessoas que passam por traumas e perdas deveriam ter as seguintes atitudes: 1) Aceitar seus sentimentos dolorosos como normais. 2) Dar permissão para sentir as emoções dolorosas. 3) Expressar seus sentimentos. 4) Buscar apoio de familiares e amigos. 5) Envolver-se na solução do problema e, por último, 6) Manter uma visão clara dos acontecimentos e sua realidade.
O problema se agrava quando as pessoas não experimentam o numero 6, pois a falta de uma visão clara, acaba catapultando as pessoas para um espiral de depressão. Ao invés de perceber os eventos negativos como realmente são e trabalhar com eles um processo saudável para a obtenção da cura, algumas pessoas passam a vê-los por uma perspectiva exageradamente negativa.
Seus pensamentos se tornam distorcidos, fazem previsões erradas, tiram conclusões precipitadas, participam de tudo ou de nada, tem sempre a visão de um túnel escuro e sem saída, personalizam as situações, e insistem que as coisas deveriam ser de outra maneira.
De acordo com John Preston, Psy.D. e autor de “You Can Beat Depression” (Você pode vencer a depressão) que é um verdadeiro guia para quem deseja recuperar-se da depressão, das distorções existentes no pensamento e percepção de fatos relacionados a vida, aspectos percebidos em quase todos os tipos de depressão.
Quando uma pessoa começa a se sentir deprimida, seus pensamentos e a percepção dos fatos se tornam extremamente negativas e pessimistas. Essas distorções não são apenas um sintoma de depressão, são também a sua principal causa, provavelmente, o fator mais potente que na prolonga e intensifica a depressão, disse Preston.
Pessoas deprimidas se envolvem em todos esses tipos de pensamentos de destruição, sem ter consciência deles. "Muitas vezes não estão cientes do pensamento interior que ocorre durante períodos de dor emocional", disse Preston.
Um método importante e eficaz de dar a elas tal consciência é o da cognição que envolve o uso de sentimentos como pistas ou sinais. Por exemplo: “Ao notar um sentimento de tristeza ou frustração ocorrendo em sua mente, pergunte-se”: 1) O que está acontecendo em minha mente? 2) O que estou pensando? 3) O que estou dizendo a mim mesmo? 4) Que percepção estou tendo da situação que provocou esse sentimento?.
É difícil mudar suas emoções sem antes reconhecer os pensamentos por trás delas. Ao prestar atenção ao que ocupa seu pensamento, será capaz de alterá-lo e torná-lo em realidade sob a autoridade de Cristo e sua palavra.
Se estiver deprimido, use um diário para escrever acerca de seus pensamentos diários. Para aqueles que se repetem, basta colocar um registro ao lado da frase todas as vezes que aparecer tal pensamento.
O próximo passo é começar a desafiar cada pensamento que seja contrário à palavra de Deus, que seja distorcido ou irreal. Pensamentos como “eu nunca vou encontrar outro emprego”, “ninguém vai me amar de novo”, “todo mundo me odeia”, “não consigo fazer nada direito”, “nunca mais experimentarei a felicidade novamente”. Esses são alguns exemplos de pensamentos distorcidos não fundamentados na realidade.
Agora que os pensamentos estão listados no papel, é hora de alterá-los e torná-los saudáveis e realistas. Em uma folha de papel, faça uma lista, dos pensamentos distorcidos, no lado esquerdo. Desenhe uma linha no meio. Do lado direito desafie cada pensamento negativo com uma resposta realista. Por exemplo:
1) “Eu nunca vou encontrar outro emprego” - pode ser respondido com - "Eu não posso ver o futuro, mas Deus disse que vai suprir todas as minhas necessidades (Fp.4.19). Farei o meu melhor e confiarei nele."
2) “Ninguém me amará novamente” - pode ser respondido com - “É obvio que me sinto decepcionado com esta perda, mas isso não significa que Deus não tenha alguém especial pra mim”.
3) “Todo mundo me odeia” - pode ser respondido com - “Talvez esta pessoa não gosta de mim, mas sei que sou uma boa pessoa e tenho amigos e familiares que me amam”.
Faça isso com todo pensamento negativo de sua lista e, em seguida desafie-o com o que diz as Escrituras ou a razão. Se não conseguir fazer sozinho, peça a uma pessoa amiga para ajudá-lo com as respostas. Logo, perceberá uma diminuição nos efeitos da depressão.
Além de desafiar seus pensamentos, a meditação com fé na palavra de Deus ajudará na observação constante daquilo que ocupa a mente, ensinando a exercer controle sobre o vem ao pensamento não permitindo que fiquem e se alojem na mente. A meditação na palavra de Deus promove paz e alegria no coração do cristão.
A Bíblia produz renovação na forma de pensar das pessoas, gerando não somente fé, mais transformação do ser. O salmista Davi quando deprimido declarou o seguinte: “Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas”. (Sl.6.6).
Disse mais: “As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?”. (Sl.42.3). Contudo, em meio a depressão Davi voltou-se para Deus, clamou e descobriu que poderia obter ajuda. “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu”. (Sl.22.24). “Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito”. (Sl.25.16).
O Salmista descobriu que socorro eficaz só Deus tem pra dar. “Dá-nos auxílio para sair da angústia, porque vão é o socorro da parte do homem”. (Sl.108.12). Liberto dos pensamentos de derrota, envolto na presença de Deus, o salmista redescobriu a alegria e declarou: “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente”. (Sl.16.11).
Mencionamos anteriormente que voltar as costas pra Deus não produz a depressão, pois Ele não inflige depressão nos seus filhos. Contudo, devemos reconhecer que quando as pessoas se afastam dele, acabam deixando o contato com a única fonte verdadeira de alegria, segundo está escrito.
A Bíblia ainda fala do profeta Elias(1Rs.19.1-18), que ameaçado por Jezabel entrou em depressão. Primeiro passo para ele entrar em depressão foi o medo de algo que poderia acontecer, mas nunca se concretizou. Quantas pessoas estão deprimidas e sofrendo, por medo de algo que nunca acontecerá a elas?
O profeta Fugiu diante da ameaça. Da mesma forma as pessoas fogem da confrontação com as ameaças e adversidades que a vida coloca diante delas. Se fecham em seu mundo de medo e se deprimem.
Quando chegou ao lugar chamado Berseba, deixou o seu companheiro naquele lugar, pois a pessoa deprimida não quer a companhia de ninguém, pois tem medo de ser confrontada e obrigada a mudar sua atitude. Não quer que os demais vejam sua fragilidade diante de algo que não consegue lidar.
Em seguida, fez o que a maioria das pessoas com depressão fazem, foi dormir sem querer acordar, pois em meio a esse processo, pediu para si a morte. A única saída no pensamento de quem está experimentando a depressão é a morte. Porem, a morte não produzirá a cura e conseqüente restauração das emoções.
Em seguida ele foi alimentado por um anjo, mas sua condição era tão terrível que ao invés de se levantar e seguir voltou a dormir. Acordado pela segunda vez comeu e seguiu caminhando por 40 dias com a força daquela comida.
Isso ensina que ser alimentado por Deus, ou por Sua palavra, produz a força necessária para que a pessoa se mova adiante, saindo do lugar de procrastinação, que caminhe em busca de solução para seu problema.
Foi despertado novamente, comeu, levantou-se e caminhou 40 dias com a força daquela comida, e segundo a Biblia chegou ao monte Horebe,(monte de Deus) onde entrou numa caverna.
Mesmo depois de ter encontrado o anjo, o profeta continua fugindo da confrontação direta com seus temores. Na caverna teve uma experiência marcante ao encontrar-se com Deus. Na verdade, quando uma pessoa em depressão tem um encontro com Deus, pode esperar por uma mudança radical.
A pergunta divina foi: O que fazer aqui? Traduzindo: Quem te trouxe pra cá? Por que você está escondido mesmo sabendo que tenho um plano para sua vida? Quem te assustou a ponto de você deixar o trabalho que coloquei em suas mãos para ser feito?
O profeta, então, respondeu de forma indireta, colocando-se na condição de coitadinho. A maioria dos deprimidos age assim, colocando-se nessa condição, como se ninguém fosse capaz de entender a dor e o sofrimento deles.
Deus não se deixa levar pela conduta de Elias e ordena que retorne pelo caminho que tinha tomado para chegar aquele lugar. O que Deus estava dizendo era: “Eu não te mandei vir por aqui, volte pelo caminho que você veio”. Em outras palavras: Volte e confronte os seus demônios, seus medos e temores. Confronte aquilo que colocou você nessa condição. Mude sua atitude em relação a isso.
Ele obedeceu, voltou pelo mesmo caminho para descobrir que não havia ninguém atrás dele a não ser seus pensamentos de medo e derrota. Voltou para derrotar as palavras daquela que o havia ameaçado. Voltou para continuar a obra e separar um substituto. Voltou para ser livre daquilo que o deprimia.
Eu não sei em que condição meu querido leitor se encontra, mas sugiro que busque ajuda, pois a cura para a depressão que aflige seu viver. Há como mudar sua história. O que é preciso? É preciso vencer o medo, derrotar seus demônios e ser livre dessa prisão.
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Gerson Wheber
